Atualidade da Mensagem de Fátima

Um texto adaptado por Frei José Carlos Vaz Lucas, op


Em 1917, na Cova da Iria, Nossa Senhora apareceu a três pastorinhos Lúcia Francisco e Jacinta. O mundo vivia então uma Guerra terrível, uma Guerra Mundial com todo o seu cortejo de horrores e misérias humanas. Ao mesmo tempo, as grandes convulsões que se viviam na Rússia em consequência da revolução que aí se desenrolava, davam lugar à propagação de um ateísmo militante que ameaçava e começava já a expandir os seus erros para lá das fronteiras. É pois neste contexto que Nossa Senhora aparece aos três Pastorinhos pedindo-lhes, - e não apenas a eles, mas a todos os que através deles dessem ouvidos à sua mensagem, - para rezarem pela conversão dos pecadores, e ao mesmo tempo oferecerem sacrifícios em reparação pelos pecados dos homens.

Nossa Senhora fá-los compreender, que a guerra e todos os males que em consequência disso afligiam a humanidade, são fruto do pecado: do ódio, do rancor, do desejo de vingança, do egoísmo, da ganância e de tantos outros pecados que brotam do coração do homem, quando este se afasta de Deus. E é também por esta razão que vem pedir a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, procurando assim evitar a crescente propagação do ateísmo.

Mas a verdade é que os homens não deram ouvidos à mensagem de Fátima. E, como sabemos, houve mesmo quem tentasse silenciar à força a sua divulgação: a verdade é que os homens persistiram nos seus erros, e as consequências do pecado uma vez mais se fizeram sentir, com uma nova Guerra Mundial, mais mortífera e cruel, porque o homem usou a sua inteligência para desenvolver novas armas, cada vez mais potentes. Bastará que nos lembremos do horror dos campos de concentração ou das bombas atómicas lançadas sobre Hirochima e Nagasaki.

E porque o homem continuou a virar as costas a Deus e a optar pelo pecado, agora até sob novas formas, e às vezes até com a cobertura de leis iníquas, como no caso do aborto, podemos dizer que desde a última Guerra e até aos nossos dias o mundo não conheceu um único dia de Paz. Acabou a II Guerra Mundial, é verdade, mas de imediato começaram a surgir conflitos regionais igualmente mortíferos, onde todos os dias se perdem vidas humanas. Conflitos diferentes, mas todos com a mesma origem: o pecado da ganância, do ódio, da vingança, da intolerância étnica ou religiosa, inclusive. É impressionante constatar como a mensagem de Nossa Senhora continua atual, porque longe de se converterem, os homens persistem no pecado.

 As palavras com que Nossa Senhora pediu aos Pastorinhos que se oferecessem orações e sacrifícios em reparação dos pecados ou que se rezasse pela conversão dos grandes pecadores, essas palavras dirigem-se hoje, diariamente, a cada um de nós. Damos graças a Deus porque ainda são muitos, aqueles que as meditam no íntimo do seu coração e que procuram pô-las em prática. Assistimos a um renascer de grupos de todas as idades que se reúnem para refletir e rezar e as suas orações dão muito fruto.

Estamos tão habituados a ver na Televisão ou nos jornais as notícias e reportagens de guerras e de crimes de toda a espécie, que quase não nos damos conta daquilo que de muito bom também se está a passar. É verdade que há muitas pessoas, jovens inclusive, que renunciam ao egoísmo e procuram na medida das suas forças lutar um mundo mais justo, mais fraterno mais humano. Assiste-se por exemplo neste momento, a um multiplicar de voluntários que quer organizados em grupos ou associações de vária ordem, quer mesmo a título individual, procuram ajudar os mais necessitados ou os que mais sofrem. Vemos grupos de voluntários, já bem estruturados e a quem é dada uma certa formação, a visitar doentes nos Hospitais. Vemos outros que vão visitar idosos que vivem sozinhos em casa. Outros que visitam e levam comida ou agasalhos aos sem-abrigo. Vemos médicos que se juntam e dão consultas gratuitas a doentes que não as podem pagar. E se bem repararam, apesar da crise económica que atravessamos, nunca o Banco Alimentar contra a fome recebeu tantos donativos ou tantos voluntários para ajudar com trabalho gratuito na recolha e distribuição dos géneros. São apenas alguns exemplos, mas podiam citar-se muitos mais.

Tudo isto, na medida em que se opõe ao pecado do egoísmo, da ganância e do comodismo e implica a doação de si próprio e muitas vezes com sacrifício, vai também e de alguma forma ao encontro da mensagem de Fátima.

Não esqueçamos por fim que depois de advertir os homens para as consequências do pecado, e de pedir que rezássemos pela conversão dos pecadores, Nossa Senhora afirmou: “No fim, o meu coração triunfará”. Está ao nosso alcance, ao alcance de cada um de nós, vivermos a mensagem de Fátima contribuindo com as nossas orações, os nossos sacrifícios e o testemunho da nossa vida, para que esse triunfo se torne cada vez mais próximo. Que Nossa Senhora do Rosário de Fátima nos ajude a viver a mensagem que nos transmitiu.

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